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Biguaçu ganhou, esta semana, o Parque Natural Municipal Serra de São Miguel, que será uma unidade de proteção integral da natureza. O projeto de lei foi aprovado na Câmara de Vereadores na quarta-feira (19), em sessão extraordinária, e o texto enviado para sansão do prefeito Ramon Wollinger (PSD). Após ser homologado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) o parque possibilitará, ao município, receber recursos de compensação ambiental de empreendimentos instalados no território biguaçuense.

Unidade de conservação tem 1.226 hectares e mais de 100 nascentes

A superintendente da Fundação de Meio Ambiente de Biguaçu (Famabi), Andrea Felipe, informou ao Biguá News que o projeto estava sendo desenvolvido desde o ano de 2014, tendo sido debatido junto às comunidades adjacentes. A unidade de 1.226 hectares localiza-se em área rural do município, compreendendo os bairros Saudade, Prado, São Miguel e Tijuquinhas. Ela pontua que Biguaçu já perdeu recursos de compensações de empreendimentos construídos aqui, que foram destinados a outras unidades de conservação na região, devido a não existência de um parque municipal.

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“Além de proteger uma relevante área do bioma Mata Atlântica em área florestada de encosta, com ecossistemas associados, com riqueza de recursos hídricos e de fauna e flora, vai permitir que Biguaçu receba recursos de empresas por compensação ambiental. Com isso, poderemos investir, por exemplo, na realização de atividades de ecoturismo, preservação, pesquisa e educação ambiental”, comentou Andrea.

Um dos primeiros recursos que podem ser viabilizados é a segunda etapa de compensação ambiental da Autopista Litoral Sul, pelo impacto da obra do contorno viário da Grande Florianópolis, que está sendo construído entre Biguaçu, São José e Palhoça. Como ainda não havia unidade de conservação integral, o dinheiro da primeira etapa foi destinado a outros parques da região. Agora, com o Parque Serra de São Miguel, Biguaçu poderá receber até R$ 4 milhões da concessionária que está fazendo o anel viário.

“A Autopista, inclusive, já informou à Câmara Técnica de Compensação Ambiental do Ibama que tem interesse de repassar para Biguaçu, para que a compensação fique dentro do município impactado pela obra. A maior parte da estrada é dentro de nosso município. O Ibama já respondeu informando que há essa possibilidade, desde que o parque seja incluído no Cadastro Nacional de Unidades de Conservação, e isso a gente já está fazendo”, pontuou a superintendente da Famabi.

Andrea Felipe, superintendente da Famabi (Foto: Biguá News)

Com o recurso será feito um plano de manejo da unidade de conservação. Dentro da área do parque há mais de 100 nascentes e a intenção é protegê-las de qualquer espécie de degradação. Investimento em ecoturismo também poderá ser feito, com trilhas e corredores ecológicos, que conservarão a grande beleza cênica da floresta de encosta, o patrimônio histórico-cultural local (cultura açoriana), os ecossistemas associados, a fauna e a flora nativa. No viés econômico e cultural, haverá também a criação de novas alternativas econômicas sustentáveis, com respeito ao meio ambiente e valorização da identidade sociocultural da área.

Para o prefeito Ramon Wollinger, a criação do parque representa indiscutíveis valores ambientais, econômicos e sociais. “A citada área requeria uma ação visando sua proteção integral, de forma a manter a integridade dos ecossistemas locais e, ao mesmo tempo, permitir o desenvolvimento de atividades de pesquisa, turismo e recreação. Além disso, a Serra de São Miguel é de extrema importância quanto à disponibilidade hídrica de qualidade no município”, avalia.

O gestor municipal ainda pontua que a criação desse parque irá impedir que a pressão antrópica degrade e favoreça a utilização inadequada dos recursos naturais da região circunvizinha à unidade, proporcionando qualidade ambiental para as presentes e as futuras gerações.

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