Coluna Entrelinhas / Alexandre Alves

F1 em Florianópolis

Ainda sem definição sobre a renovação do autódromo de Interlagos como palco da Fórmula 1, Florianópolis recebeu contato (nada de oficial, apenas uma conversa informal) para substituir a cidade de São Paulo depois de 2020, quando terminará o contrato com a organização da corrida. As conversas ainda foram iniciais e, apesar do desejo da capital de Santa Catarina, a situação pode esbarrar em alguns problemas – o principal deles a mobilidade urbana da capital, em plena sexta-feira (dia do caos no trânsito da cidade).

Marketing mundial e muita grana

Para Florianópolis seria maravilhoso, do ponto de vista de marketing, receber a corrida numa pista de rua, tendo a Avenida Beira-Mar Norte, a ponte Hercílio Luz e a Baía Norte como pano de fundo, pois a F1 é transmitida para quase 200 países (publicidade gratuita melhor do que essa não há). Sem falar nos R$ 260 milhões que o evento injeta na economia da cidade, principalmente nos setores hoteleiro, gastronômico e de logística.

Pressão em João Doria

Contudo, a notícia plantada na Folha de São Paulo pela empresa que organiza a F1 não passa de uma sutil forma de “pressão” no prefeito da capital paulista, João Doria (PSDB). Este pretende privatizar Interlagos – o que poderia dificultar uma negociação para renovação do contrato (que vence em 2020) entre a Prefeitura de São Paulo e a F1. Do ponto de vista logístico e econômico é muito mais vantajoso para a organização fazer a corrida em SP do que em Floripa (a pista está pronta; SP tem dois grandes aeroportos e aqui tem um pequeno; a rede hoteleira não tem comparação; etc). Com a informação estampada na capa do principal jornal do país, o organizador da prova faz um jogo psicológico: Ou renova nas condições que eu preciso, ou retiro a F1 daqui e junto com ela os R$ 260 milhões que a cidade fatura por ano. Mas isso não passa de um blefe. A F1 continuará em Interlagos.

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