Coluna Entrelinhas / Alexandre Alves

O governo Michel Temer (MDB) é o verdadeiro Hobin Hood ao contrário. O herói mítico inglês era um fora-da-lei que roubava da nobreza para dar aos pobres. Já o atual presidente do Brasil é um “dentro da lei”, que tira da boca dos mais pobres e entrega aos mais ricos.

Duas medidas assinadas pelo emedebista esta semana sintetizam isso. Nesta sexta-feira (29), Temer decretou um salário mínimo R$ 11 menor do que o aprovado no orçamento de 2018, pelo Congresso Nacional. O Poder Legislativo estabeleceu o piso salarial em R$ 965, mas o chefe do Poder Executivo baixou o valor para R$ 954. Cerca de 45 milhões de pessoas no Brasil sobrevivem de salário mínimo.

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Ao mesmo tempo em que retira R$ 11 da renda dos mais pobres, o mandatário assina decreto, na quinta-feira (28), beneficiando petroleiras estrangeiras com a isenção de impostos. Cálculos preliminares apontam que o Brasil deixará de arrecadar R$ 1 trilhão até 2040, por causa desse canetaço do anti-herói brasileiro. As empresas de petróleo são de investidores que compram ações nas bolsas de valores (gente que tem dinheiro para investir, ao contrário daqueles que precisam viver com um salário mínimo).

Com aprovação popular achatada em 6% (a menor de um presidente na história do país), e tomando medidas como essas, não entendo como ele ainda sonha, nas suas noites de delírio, em ser candidato a presidente da República em 2018. Seria bom que concorresse, para que os brasileiros tivessem a oportunidade de exterminá-lo da política nacional.

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