Michael Gonçalves/Notícias do Dia

Encher o tanque com gasolina e diesel está cada vez mais caro na Grande Florianópolis. Em São José, um posto de combustíveis na marginal da BR-101 cobra R$ 3,999 o litro da gasolina comum e R$ 4,099 pela aditivada. Mas, para alívio dos motoristas, alguns postos continuam com promoções e o litro da gasolina comum também pode ser encontrado a R$ 3,499 e a aditivada a R$ 3,599. Segundo o presidente do Sindópolis (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Minerais de Florianópolis), Valmir Espíndola, nos últimos 60 dias o preço da gasolina subiu 18% e o diesel 25% nas distribuidoras.

Com a nova política da Petrobras, que prevê ajustes até diários nos preços para evitar uma perda de participação no mercado, os combustíveis voltaram a pesar no orçamento dos brasileiros. “Agora, o preço pode cair ou subir diariamente, mas normalmente sobe mais do que cai. O consumidor precisa saber que o posto é apenas a ponta da cadeia. No meu posto só aumento ou reduzo o preço quando a diferença chega a R$ 0,10. Acredito que os aumentos poderiam ser mais espaçados, porque os reajustes devem interferir na inflação”, disse Espíndola.

No último sábado, a Petrobras anunciou a elevação de 2,6% para a gasolina em suas refinarias, enquanto o diesel teve alta de 1,5%. O mercado da gasolina no Brasil é regulamentado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) e pela lei do petróleo (9.478/97). Assim, desde janeiro de 2002, o preço passou a ser definido pelo próprio mercado. No preço que o consumidor paga no posto pela gasolina, além dos impostos – Estados (ICMS) e União (Cide, PIS/Pasep e Cofins) e da parcela da Petrobras -, também estão incluídos o custo do etanol anidro (fixado livremente pelos produtores) e os custos e as margens de comercialização das distribuidoras e dos postos revendedores.

Para o representante comercial André Rufino, 47 anos, que roda até 3.000 por mês, o preço do combustível assusta. “Os governantes só querem aumentar os impostos para cobrir os desvios de corrupção. Como não posso deixar de trabalhar, a solução foi a de reduzir as viagens e os passeios de lazer”, lamentou.

Concorrência leva ao fechamento de postos

A prática de pesquisar preços ainda deve ser adotada pelo consumidor. O agente de escolta José Paixão, 36 anos, busca os postos com preços em promoção mesmo pagando à vista. O objetivo é economizar ao máximo. O presidente do Sindópolis, Valmir Espíndola, afirmou que a concorrência está levando ao fechamento de postos. Atualmente, são 1.980 em todo o Estado.

A variação do posto mais barato do mais caro na Grande Florianópolis fica em R$ 0,50 o litro. O tanque de 45 litros pode gerar uma economia de R$ 22,50. “Confesso que não deixo de fazer nada pelo preço da gasolina, mas também não quero pagar mais caro. Onde tem promoção, eu estou, mesmo tendo de pagar em dinheiro”, disse Paixão.

A concorrência entre os postos resultou no fechamento de dezenas de estabelecimentos. “Desde 2016, 19 postos fecharam na Grande Florianópolis e 36 na região de Joinville. A recessão também reduziu o consumo em 10%”, afirmou Espíndola.

Em visita a Florianópolis, o professor Gabriel Mariano, 35, de Francisco Beltrão (PR), comemorou ao encontrar um posto com gasolina a R$ 3,499 o litro. “Na minha cidade, está R$ 4,20, e durante a viagem não encontrei preço mais barato”, contou.