ND – Com 25.058 mil habitantes, Bombinhas, no Litoral Norte, um dos destinos turísticos mais procurados de Santa Catarina, já ultrapassou a marca de mil casos de diarreia causados pela DDA (Doença Diarreica Aguda), de acordo com o Ministério da Saúde. Os números chamam atenção quando comparados à população fixa do município.
Conforme o levantamento do Ministério da Saúde, Bombinhas contabilizou 1.403 casos de diarreia apenas nas três primeiras semanas do ano. Na primeira semana de janeiro, foram registrados 503 atendimentos. Na segunda, o número chegou a 440, e na terceira semana, mais 460 casos.
O que diz a Prefeitura de Bombinhas
Diante da divulgação dos números, a Prefeitura de Bombinhas afirmou que o aumento dos registros precisa ser analisado com cautela e contextualizado.
Em nota técnica, o município explicou que houve mudanças no sistema de monitoramento e notificação dos casos.
Ainda segundo o comunicado, após a identificação de falhas técnicas, a prefeitura promoveu ajustes no sistema de vigilância epidemiológica.
“Diante dessa constatação, o município promoveu, no período atual, uma reformulação do sistema de monitoramento e notificação, com o objetivo de garantir maior precisão, sensibilidade e confiabilidade dos dados epidemiológicos”, disse a prefeitura.
“Dessa forma, o aumento observado no número de casos notificados não deve ser interpretado, de forma isolada, como um agravamento real do cenário epidemiológico, mas sim como um reflexo direto da melhoria na qualidade da vigilância, da ampliação da detecção e da redução da subnotificação anteriormente existente”, acrescentou a administração municipal.
A Prefeitura de Bombinhas destacou ainda que permanece atenta e comprometida com a vigilância das doenças diarreicas, adotando ações contínuas de monitoramento, prevenção e promoção da saúde.
Com 18% de cobertura de esgoto, Bombinhas registra casos de diarreia
Apesar de quase universalizar o abastecimento de água, Bombinhas enfrenta um desafio histórico no esgotamento sanitário.
Atualmente, o município conta com 99,99% de cobertura de água potável, operada por duas Estações de Tratamento de Água que somam capacidade de 245 litros por segundo.
Já o sistema de esgoto possui apenas 18% de cobertura operante. Segundo a prefeitura, outros 36% estão em fase de ativação, o que deve elevar o índice para 54% nos próximos meses.
Hoje, a cidade possui 11 quilômetros de rede coletora em operação e cerca de 50 quilômetros ainda não operantes, com 3.300 economias ativas e outras 7.100 aguardando ativação.
Marco Legal do Saneamento
Bombinhas está inserida em um projeto de grande porte para atender às exigências do Marco Legal do Saneamento, instituído em 2020 pela Lei 14.026.
A legislação estabelece metas para que, até 2033, 99% da população tenha acesso à água potável e 90% conte com serviços de coleta e tratamento de esgoto, com possibilidade de prorrogação até 2040 mediante justificativa técnica.
De acordo com a prefeitura, o município executa um dos maiores programas de infraestrutura de sua história, por meio de contrato de concessão com a Águas de Bombinhas. O investimento previsto é de R$ 180 milhões.
Segundo o município, as ações representam um avanço significativo para a saúde pública, a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável da cidade, especialmente em um cenário de forte crescimento populacional temporário durante a alta temporada.
Doença Diarreica Aguda
A Doença Diarreica Aguda é caracterizada por três ou mais episódios de diarreia em um intervalo de 24 horas e pode vir acompanhada de sintomas como dor abdominal, febre, náuseas e vômitos.
Em situações mais graves, a desidratação pode levar à morte, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o crescimento dos casos ocorre principalmente durante o verão, período marcado por temperaturas elevadas, aumento da circulação de turistas, maior consumo de alimentos fora de casa e exposição a água imprópria para banho.
A combinação desses fatores amplia o risco de contaminação e contribui para a sobrecarga nos serviços de saúde, especialmente em cidades litorâneas com grande fluxo sazonal de visitantes.

