
O fechamento de fábricas na Argentina tem afetado grandes empresas e provocado milhares de demissões. Nos últimos meses, companhias ligadas a marcas como Nike, Brastemp, Consul, Adidas e Fila anunciaram o encerramento de unidades produtivas, enquanto o setor calçadista já contabiliza mais de 200 fábricas fechadas desde novembro de 2023.
De acordo com a Câmara da Indústria de Calçados da Argentina, cerca de 200 fabricantes de calçados encerraram as atividades desde novembro de 2023, período que coincide com o início do governo Javier Milei.
Os casos mais recentes envolvem o grupo brasileiro Dass, fabricante de calçados para marcas como Nike, Adidas e Fila, e a Whirlpool, dona da Brastemp, Consul e KitchenAid. Também está entre as empresas afetadas a fabricante de pneus Fate, que demitiu centenas de trabalhadores após encerrar uma unidade.
Nesse intervalo, aproximadamente 6,6 mil empregos formais foram perdidos no setor. Apenas no primeiro trimestre de 2026, a produção da indústria calçadista caiu 24,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Por que fábricas estão fechando na Argentina?
Economistas afirmam que a abertura econômica promovida pelo governo Milei reduziu a proteção que parte da indústria nacional tinha contra a concorrência internacional.
Segundo o economista Andres Borenstein, do BTG Pactual na Argentina, muitas empresas operavam com margens elevadas em um mercado mais fechado e perderam competitividade após as mudanças econômicas.
“A economia era muito fechada e está sendo aberta. Por isso, muitas fábricas que tinham margens altas viram essas margens reduzirem e acabaram fechando”, afirmou ao Estadão.
Para Roberto Nolazco, da consultoria Prospectiva, a Argentina passa por uma mudança no perfil produtivo, deixando de favorecer setores industriais tradicionais, como o têxtil e o calçadista.
Ao mesmo tempo, áreas que vêm impulsionando o crescimento do PIB, como agronegócio, mineração, indústria do conhecimento e mercado financeiro, ainda não conseguem absorver toda a mão de obra dispensada.
Informalidade bate recorde
Enquanto o desemprego permaneceu relativamente estável em 7,8% no primeiro trimestre de 2026, a informalidade atingiu 44,2% da força de trabalho, o maior nível da série histórica iniciada em 2024.
O índice representa quase 6 milhões de trabalhadores e, segundo especialistas, reflete a dificuldade de parte da indústria em se adaptar ao novo ambiente econômico, levando muitos profissionais a migrarem para ocupações informais enquanto o mercado passa por uma transformação estrutural.

