A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada neste domingo (25), teve um resultado diferente em Biguaçu. Enquanto o petista venceu a disputa nacional e garantiu um quarto mandato no Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi o candidato mais votado no município, com 64,64% dos votos válidos.
Com 100% das urnas apuradas, Flávio recebeu 29.786 votos em Biguaçu, contra 16.297 de Lula, que somou 35,36%. A diferença foi de 13.489 votos, segundo dados da apuração divulgados Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O resultado evidencia o contraste entre a escolha da maioria dos eleitores brasileiros e a preferência do eleitorado de Biguaçu, onde candidatos ligados à direita vêm demonstrando força nas urnas.
Jorginho Mello teve 68,20% dos votos
A votação para presidente acompanha uma tendência já observada no primeiro turno das eleições. Em 4 de outubro, o governador Jorginho Mello (PL) foi reeleito em Santa Catarina e recebeu 68,20% dos votos válidos em Biguaçu, o equivalente a 28.360 votos.
O resultado municipal ficou próximo do desempenho estadual de Jorginho, que conquistou 68,98% dos votos válidos em Santa Catarina, segundo o TSE.
Na disputa presidencial do primeiro turno, Flávio Bolsonaro também havia liderado em Biguaçu, com 62,66% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 28,26%.
A repetição do desempenho da direita nas duas etapas da eleição presidencial, somada à expressiva votação de Jorginho Mello, reforça a identificação de uma parcela significativa do eleitorado local com candidaturas desse campo político.
Contraste entre Biguaçu e o resultado nacional
No cenário nacional, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, totalizando 64,2 milhões de votos. Flávio Bolsonaro ficou em segundo lugar, com 48,21%, ou aproximadamente 59,8 milhões de votos, conforme o balanço divulgado pelo TSE.
A diferença entre o resultado brasileiro e o de Biguaçu demonstra como a disputa presidencial teve comportamentos distintos conforme a região. No município catarinense, Flávio ampliou sua vantagem em relação ao primeiro turno e terminou a eleição com uma diferença de quase 30 pontos percentuais sobre Lula.
O desempenho também está inserido no contexto político de Santa Catarina, estado em que a direita e o bolsonarismo mantêm presença eleitoral expressiva desde as eleições de 2018.
O que o resultado indica para a política local
A votação de 2026 reforça a importância do eleitorado conservador no cenário político de Biguaçu. O desempenho de Jorginho Mello para governador e de Flávio Bolsonaro para presidente mostra que candidaturas identificadas com a direita conseguiram reunir ampla parcela dos votos válidos no município.
O resultado, porém, não significa que todos os eleitores compartilhem as mesmas posições políticas ou que a preferência por candidatos de direita se traduza automaticamente em apoio a qualquer partido ou liderança local. As eleições municipais têm dinâmicas próprias, influenciadas pela avaliação da administração pública, pelas alianças e pela relação dos candidatos com a população.
Ainda assim, os números oferecem um indicador relevante para a análise das próximas disputas eleitorais: em Biguaçu, a força demonstrada nas urnas por candidatos do PL e do campo conservador deverá continuar sendo um fator importante na formação de alianças e nas estratégias políticas locais.

