O trabalho contínuo pela preservação e valorização das tradições açorianas voltou a colocar Biguaçu em evidência. Escolhido para sediar a 30ª Festa de Cultura Açoriana de Santa Catarina (AÇOR), em 2024, o município foi novamente reconhecido pelas ações realizadas com o Troféu Açorianidade – Ilha do Faial. A honraria foi entregue no último sábado (6), pelo Núcleo de Estudos Açorianos (NEA), da Universidade Federal de Santa Catarina, durante cerimônia promovida em Barra Velha, próxima cidade a receber a AÇOR.
A indicação para a premiação foi feita pelo Conselho Deliberativo do NEA, formado por 68 prefeituras do litoral catarinense, universidades, fundações e associações culturais, além do Arquivo Público de Santa Catarina e do Consulado Honorário de Portugal.
O Troféu Ilha do Faial, nomeado em homenagem a uma das nove ilhas do Arquipélago de Açores, é concedido a administrações públicas que se destacam na educação, cultura, turismo e eventos ligados à herança açoriana em Santa Catarina.
Ao receber o prêmio, o prefeito Salmir da Silva destacou o compromisso com a proteção desse patrimônio. “Receber o Troféu Ilha do Faial confirma que Biguaçu está no caminho certo ao investir na valorização de sua identidade cultural. Nos últimos anos, intensificamos o apoio a grupos e manifestações tradicionais, promovemos ações de resgate histórico, fortalecemos eventos que representam nossa memória coletiva e ampliamos a troca com instituições e comunidades ligadas à cultura açoriana. Vamos continuar avançando, para que a herança açoriana continue sendo motivo de orgulho e referência para as próximas gerações”.
O vice-prefeito Alexandre Martins de Souza reforçou o caráter coletivo da conquista. “Esse reconhecimento mostra que o investimento feito na cultura tem reflexo direto no sentimento de pertencimento da nossa população. É resultado de um trabalho que une poder público, instituições parceiras e, sobretudo, a comunidade, que abraçou cada projeto e ajudou a fortalecer nossas raízes. Estamos orgulhosos em ver nossa história e tradições valorizadas”.
Para o secretário de Cultura, Lazer e Turismo, Luiz Gustavo da Silva, “ao recebermos o Troféu Ilha do Faial – Administração Municipal, reafirmamos que governar é também resgatar memórias, fortalecer raízes e dar futuro à nossa cultura. Esse reconhecimento não encerra a caminhada, estamos apenas começando. Ele nos inspira a seguir firmes, fazendo da gestão pública uma ponte entre história, tradição e futuro”.
Representando a administração municipal, também estiveram presentes na solenidade o secretário de Educação, Gustavo Silva Sagas, demais secretários e servidores, além da família do prefeito Salmir.
Relembre a trajetória até a premiação
Biguaçu voltou a figurar entre os municípios do litoral catarinense destacados pelo NEA após mais de 20 anos de afastamento. O primeiro movimento nesse sentido foi a reintegração ao Conselho Deliberativo do Núcleo de Estudos Açorianos, por meio da então Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Turismo e Lazer.
Em 2023, a Prefeitura participou pela primeira vez da Festa de Cultura Açoriana e apoiou a indicação de dois biguaçuenses premiados no Troféu Açorianidade: a historiadora Ana Lúcia Coutinho, agraciada com o Troféu Ilha de São Jorge – Personalidade, e o artesão e construtor de baleeiras Eduardo Bazilicio, com o Troféu Ilha do Pico – Mestre dos Saberes e Fazeres.
No mesmo ano, foram iniciadas atividades de resgate histórico-cultural com a Rede Municipal de Ensino, também em comemoração aos 275 anos da presença açoriana em Santa Catarina, como o projeto Passaporte Viva Biguaçu, que aproximou crianças dos pontos históricos, unindo educação patrimonial e afeto. Durante o Desfile Cívico da Independência, alunos apresentaram trajes típicos, pratos tradicionais e manifestações culturais que remontam às origens açorianas.
Na Escola de Música de Biguaçu Reduzino Romão de Faria, coral e orquestra trabalharam arranjos especiais para os bailados açorianos e folclore popular, resgatando melodias ancestrais e entregando-as com nova roupagem às futuras gerações.
Além disso, Biguaçu participou do Encontro das Cidades Criativas da UNESCO, apresentando a cultura da farinha de engenho como símbolo de resistência e identidade, e fomentou produções audiovisuais que abordam esse saber e o trabalho do último construtor de baleeiras do município.
Também foram realizadas ações para preservação do crivo, com oficinas e rodas de conversa, assim como para o fortalecimento da Festa do Divino Espírito Santo na comunidade de São Miguel, intensificando a participação da municipalidade em uma das mais importantes manifestações de fé e tradição local.
Para ser palco da 30ª edição da AÇOR, o município promoveu uma preparação intensiva no decorrer de 2024, com reuniões de alinhamento, capacitações e planejamento logístico. No mês de novembro, além da entrega de premiações, foi promovido um grande evento que reuniu milhares de pessoas para celebrar a música, dança, artesanato e outros símbolos da cultura açoriana.
Mais recentemente, em 2025, o Grupo Etnográfico da Beira da Ilha de São Jorge desembarcou em território biguaçuense, em um intercâmbio que reafirmou laços com os Açores e a dedicação em manter viva a herança açoriana.
E, ainda neste ano, Biguaçu participará das exposições da 31ª edição da AÇOR, levando a Barra Velha um acervo cultural único, incluindo peças de artesanato, produtos típicos e outros elementos do patrimônio histórico e cultural preservados em território municipal.


