A percepção dos biguaçuenses que está chovendo muito nos últimos tempos é confirmada por um relatório do Centro Integrado de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Ciram), órgão vinculado à Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). O levantamento foi disponibilizado à Prefeitura de Biguaçu neste mês de janeiro e mensura a precipitação pluviométrica dos últimos 10 anos.
Conforme o documento, a média climatológica mensal da região nos últimos 25 anos é de 137,07 milímetros (mm), o que corresponde a 137 litros de água por metro quadrado de área.
Ressalta-se que em vários meses a chuva ficou abaixo dessa média. Porém, em outros meses a chuvarada ficou muito acima da média, como em dezembro de 2025 (299 mm), abril de 2025 (238,8 mm), janeiro de 2025 (322,4 mm), outubro, novembro e dezembro de 2024 (todos acima de 200 mm), outubro e novembro de 2023 (ambos acima dos 400 mm), por exemplo.
No cômputo anual, choveu acima da média nos últimos cinco anos. Em 2021, a precipitação média mensal foi de 185,98 mm, o que representa 35,7% a mais do que a média. Em 2022, foram 196,67 mm (+43,4%), em 2023, 157,07 mm (+14,6%), em 2024, 206,85 mm (+50,9%) e, em 2025, 154,12 mm (+12,4%).
A administração municipal ressalta que esse excesso de chuvas impacta os serviços públicos e exige maior volume de manutenções preventivas e corretivas, o que demanda maior investimento de recursos públicos.
Nos últimos cinco anos, a Prefeitura de Biguaçu reforçou a manutenção preventiva das galerias de águas pluviais e dos canais de macrodrenagem. Máquinas retroescavadeiras e caminhões retiraram centenas de toneladas de barro, material orgânico, lixos e entulhos das valas de escoamento de águas pluviais como medida preventiva para evitar ou minimizar alagamentos em dias de chuvas torrenciais.
Também foram feitos investimentos de grande porte, como o término da Macrodrenagem do Vendaval, onde foram investidos mais de R$ 2,3 milhões. Drenagem com tubos mais largos em ruas recém pavimentadas também foi outra ação implementada, pois com tubulação com diâmetro maior facilita o escoamento das enxurradas.
Outros investimentos preventivos estão em andamento, como a obra complementar de macrodrenagem no bairro Bom Viver, abrangendo as ruas Francisco Venceslau de Faria e Pasqualine Inês da Costa, que está em fase de licitação. O investimento previsto será de aproximadamente de R$ 1,2 milhão, com recursos já captados junto ao Banco do Brasil.
Obras de contenção de encostas para evitar desmoronamentos também foram feitas em vários pontos da cidade.
Na manutenção corretiva, a Prefeitura de Biguaçu reforçou os investimentos para recuperação de estradas vicinais e também para os serviços de tapa buracos nas vias urbanas. ressalta-se que a maior parte da malha viária municipal é composta de pavimento muito antigo, que acaba se deteriorando mais rapidamente com o excesso de chuva. A água infiltra através das rachaduras do asfalto e danifica a base e sub-base, abrindo buracos no pavimento e também danificando os bueiros.
O prefeito Salmir da Silva ressalta que a gestão municipal tem empreendido esforços para dotar a cidade de infraestrutura e minimizar os impactos do excesso de chuva. “Pavimentamos dezenas de ruas e estradas vicinais, trocamos tubulação de drenagem, fizemos obras de contenção de encostas e de macrodrenagem. Obras de manutenção corretiva também foram e estão sendo realizadas para minimizar os impactos causados aos moradores durante seus deslocamentos diários, embora não no ritmo que gostaríamos devido à burocracia, mas os tapa buracos estão avançando”.


