Fábio pagou comissão a Leandro logo após Veigamed receber R$ 33 milhões

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A retirada do sigilo dos pedidos de prisão dos seis envolvidos na fraude da compra dos respiradores revela que o empresário Fábio Guasti recebeu R$ 2 milhões da Veigamed, horas depois de o Governo de Santa Catarina depositar os R$ 33 milhões. Provas obtidas pela força-tarefa que investiga o caso também revelam que, assim que esse dinheiro entrou em uma conta bancária de uma de suas empresas, Guasti fez uma transferência de R$ 30 mil ao advogado Leandro Adriano de Barros. Um e-mail anexado ao processo diz que tal valor fora a título de “comissão”.

Print de e-mail da Remocenter, uma das empresas de Fábio Guasti, atestando pagamento de “comissão” a Leandro Barros, um dia após a Veigamed receber do Governo do Estado

A força-tarefa afirma que Fábio Guasti fora apresentado à Secretaria de Estado de Saúde pelo então chefe da Casa Civil Douglas Borba (PSL) e que este também indicou Leandro Adriano de Barros para falar em nome da Veigamed nessa aquisição dos 200 respiradores. Leandro advoga para uma das empresas de Fábio, a “Meu Vale”.

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Após quebra de sigilo bancário da Veigamed foi possível constatar que, assim que recebeu os R$ 33 milhões do Estado, essa empresa começou a fazer transferências de altos valores a dezenas de contas bancárias, de pessoas físicas e jurídicas – entre essas remessas estão os R$ 2 milhões pagos a Fábio. Em depoimento à força-tarefa, Guasti dissera que recebera esse dinheiro de comissão da Veigamed para intermediar o negócio junto à Secretaria de Saúde. Mas os investigadores suspeitam que essa “comissão” seja maior, já que uma das empresas de Fábio Guasti emitiu nota fiscal de R$ 5 milhões à Veigamed, no mesmo dia dessas transferências.

Fábio Dambrósio Guasti

Douglas e Leandro

A investigação também derrubou a tese das defesas de Douglas e de Leandro, de que ambos mal se conheciam em Biguaçu e que não tinham relacionamentos pessoais. O Ministério Público atesta que, logo após o escândalo dos respiradores tornar-se público, os dois investigados começaram a destruir provas, principalmente apagando mensagens de conversas de WhatsApp nos celulares de ambos – revelando uma ação possivelmente combinada.

Leandro Adriano de Barros

Porém, o Instituto Geral de Perícias (IGP) conseguiu recuperar várias mensagens nos aparelhos apreendidos por meio de um programa específico para isso. Entre elas estão conversas diretas entre ambos desde 2019, informações sobre conversas paralelas com outras pessoas na qual um citava o outro, e inclusive ligações de WhatsApp de um para o outro.

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Todos os envolvidos estão presos preventivamente.

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