Uma entrevista de emprego terminou em um prejuízo potencial de R$ 571.989 para um homem em São José, na Grande Florianópolis. A vítima descobriu que três financiamentos de veículos haviam sido contratados em seu nome após participar de um processo seletivo conduzido por uma mulher que se apresentou como recrutadora.
O caso aconteceu em uma sala de coworking. Durante a suposta entrevista, a mulher solicitou que o candidato realizasse um procedimento de reconhecimento facial. A leitura foi feita três vezes.
Segundo o relato, o processo seletivo começou a levantar suspeitas porque uma das etapas consistia em uma prova considerada estranha e que demorava mais do que o esperado. Ao questionar a recrutadora, o homem recebeu a informação de que ela buscaria um notebook.
A mulher deixou a sala e não retornou.
Alerta veio por telefone
Pouco depois, o candidato recebeu uma ligação de um homem que afirmou trabalhar na central de fraudes de um banco. Ele disse que o entrevistado havia sido vítima de uma fraude financeira.
Durante a conversa pelo WhatsApp, o suposto funcionário enviou uma fotografia de uma mulher. O candidato reconheceu a pessoa como sendo justamente a recrutadora que havia realizado a entrevista.
Ao verificar as notificações e os e-mails vinculados à sua conta bancária, a vítima encontrou três contratos de financiamento de veículos realizados em seu nome.
Os valores identificados foram de R$ 172.990, R$ 260 mil e R$ 138.999, totalizando R$ 571.989. O homem procurou a instituição financeira e foi orientado a registrar um boletim de ocorrência para contestar as operações.
Reconhecimento facial é investigado
A principal suspeita levantada no caso é de que a captura da imagem do rosto tenha sido utilizada para viabilizar as operações fraudulentas. O reconhecimento facial é empregado por bancos e instituições financeiras como mecanismo de confirmação de identidade em operações de crédito realizadas digitalmente.
Durante a falsa entrevista, o candidato teria fornecido a própria imagem facial três vezes, sem saber que o procedimento poderia estar relacionado à contratação de serviços financeiros.
A mulher deixou o prédio antes da chegada da Polícia Militar e, até o momento, não havia sido identificada. O caso foi registrado como estelionato.
A investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil. O cadastro utilizado para reservar a sala onde ocorreu a entrevista e as imagens das câmeras de segurança do prédio poderão auxiliar na identificação da suspeita e na apuração de como os financiamentos foram contratados.
