A Secretaria de Estado da Saúde informou, durante entrevista coletiva realizada na terça-feira (15) no auditório da Prefeitura de Biguaçu, que o Hospital Regional de Biguaçu Helmuth Nass (administrado pela Beneficência Camiliana do Sul) está com a produção muito abaixo do compactuado com o município e os governos do Estado e Federal.

De acordo com a gerente regional de saúde da Grande Florianópolis, Fabiane Mendes de Melo – que representou o Estado na coletiva -, o hospital recebe mensalmente do Governo do Estado um valor fixo superior a R$ 800 mil, mais R$ 400 mil de incentivo para realizar 200 procedimentos cirúrgicos por mês. No entanto, nos últimos seis meses, a Secretaria de Estado da Saúde tem registro de apenas 194 cirurgias durante todo o semestre – média de 32,6 por mês.
“Através de monitoramento que a Secretaria de Estado da Saúde realiza junto aos hospitais públicos e os filantrópicos, que é o caso do Hospital Regional Helmuth Nass, nós acompanhamos mensalmente a produção dessas unidades. O Estado tem compactuado com a gestora [São Camilo] um quantitativo de 200 cirurgias de média complexidade por mês, mas a média dos últimos seis meses está abaixo de 33 por mês”, afirmou a gerente regional.

Fabiane ainda pontuou que “isso nos deixa preocupados, pois acaba interferindo na assistência ao paciente, no acesso aos serviços de saúde e na saúde pública da macrorregião”, comentou. Ela ainda informou que, devido à baixa produção apresentada pela Beneficência Camiliana do Sul na unidade, a fila de espera por cirurgias no Hospital Regional de Biguaçu ultrapassa o total de 1.600 pessoas.
A intervenção
A baixa produção apresentada pela unidade administrada pela São Camilo foi o principal motivo da intervenção da Prefeitura Municipal na gestão do Hospital Regional Helmuth Nass. Mas as causas vão além disso. A estrutura do hospital é de propriedade do Município de Biguaçu – que construiu, equipou, e entregou a gestão para a Beneficência Camiliana do Sul por meio de concessão pelo prazo de 30 anos.
De acordo com o Decreto 168, de 14 de Julho de 2025, estava ocorrendo o descumprimento reiterado das obrigações pactuadas, a inexecução parcial dos serviços conveniados, a ausência de comprovação da boa e regular aplicação dos recursos públicos e os indícios de má gestão dos bens públicos concedidos.
Entre outros motivos, o decreto também pontua “os indícios de desorganização contábil-financeira, omissões na prestação de contas e falhas na comunicação com o gestor local, que comprometem gravemente a continuidade e qualidade da assistência à saúde da população, especialmente nos setores de urgência e emergência, leitos de internação clínica e cirúrgica, maternidade e unidades de terapia intensiva”.
Versão da São Camilo
Biguá News entrou em contato com a Beneficência Camiliana do Sul através do canal oficial de contato da entidade, mas ainda não obteve resposta (que será publicada assim que for respondida).
Decreto 168
A íntegra do Decreto 168 – que determina a intervenção – pode ser consultada neste link (PDF)


