Médicos acusados de não comparecer a plantões ficam em silêncio durante depoimento

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Com a fase de coleta de depoimentos dos médicos suspeitos da Operação Onipresença quase concluída até as 22h desta quarta-feira, restam muitos pontos para serem esclarecidos pela Polícia Federal (PF). Isso porque a maior parte dos 27 profissionais do Hospital Universitário (HU) suspeitos de descumprirem obrigações contratuais com a UFSC preferiu se manter em silêncio durante as oitivas, conforme informações repassadas pela própria PF.

Responsável pela investigação, o delegado Allan Dias convocou uma coletiva de imprensa para a manhã desta quinta-feira, em que deve divulgar novas informações sobre o caso e comentar o teor dos depoimentos.

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Os depoimentos começaram na terça-feira, quando foram ouvidas sete pessoas na sede da PF em Florianópolis. Nesta quarta, eram previstos os depoimentos dos demais 20, mas a polícia não confirmou se todos os médicos foram ouvidos até a noite de quarta. Conforme a PF, é possível que os últimos a falar sejam ouvidos apenas no início da manhã de quinta-feira. A polícia não comentou o relato de nenhum profissional.

Três delegados trabalham nas audiências para agilizar o processo, o que demonstra a prioridade do caso. A reportagem identificou e conversou com três dos 27 médicos no saguão do prédio, mas todos se recusaram a dar entrevistas.

O advogado de um deles conversou com o DC e, sem autorizar divulgação de nomes, afirmou que considera o material apresentado pela polícia “insuficiente” para um indiciamento. Afirmou também ter informações que alguns dos suspeitos estão fornecendo informações à PF, mas que a maioria permanecerá em silêncio — até porque os defensores ainda não tiveram acesso ao inquérito na íntegra, mas apenas partes que dizem respeito aos seus clientes.

Delegado Ildo Rosa, do setor de comunicação da PF, explica que a investigação tem depoimentos de 82 testemunhas, além de todo o material apreendido em 9 de junho, quando foram cumpridos 52 mandados de busca e apreensão em Florianópolis, Tubarão, Itajaí e Criciúma. A polícia cogita abrir outras linhas de investigação para levantar informações de médicos não incluídos na lista com os 27 suspeitos.

Gabriel Rosa – Diário Catarinense

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