Médicos da UPA de Biguaçu rejeitam Isev e prefeitura poderá contratá-los

Publicidade

Os 27 médicos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Biguaçu não querem mais trabalhar para o Instituto de Saúde e Educação Vida (Isev), que faz a gestão e o pagamento dos salários do corpo clínico da UPA, e a prefeitura analisa uma forma de contratá-los para evitar a paralisação dos atendimentos. As tratativas foram iniciadas em uma reunião nesta terça-feira à noite.

Os profissionais de medicina afirmam que há dois meses não estão mais recebendo o que fora acertado quando foram contratados. O Isev ajustou o trabalho dos médicos pagando determinado valor na carteira e outra parte em forma de “horas extras”. Contudo, como a prefeitura diminuiu o repasse devido à crise financeira, o instituto deixou de saldar o combinado verbalmente e passou a depositar na conta de seus funcionários apenas a quantia prevista no contrato de trabalho. Com isso, os salários caíram quase pela metade.

Continua após a publicidade

Após quase duas horas de explanações de ambas as partes, ficou definido que representantes da Prefeitura de Biguaçu e do Sindicato dos Médicos de Santa Catarina vão se reunir, nesta quarta-feira à tarde, para afunilar as negociações visando à contratação direta dos médicos, sem a participação do Isev.

O prefeito Ramons Wollinger (PSD) disse, ao Biguá News, que “diante do fato de a contratada não estar cumprindo com o salário dos médicos, a ideia da prefeitura é tentar absorver o corpo clínico para evitar qualquer tipo de paralisação dos atendimentos. Estamos estudando as questões legais, se a contratação será por meio de processo seletivo, processo seletivo simplificado, ou outras formas atendidas pela legislação”.

O gestor do Poder Executivo comentou que os fatos apresentados pelos médicos em um documento entregue durante a reunião – entre eles o de não pagamento do FGTS por dois anos – ensejam a rescisão unilateral do contrato com o instituto. “Na questão dos médicos da UPA está bem encaminhado para isso [rescisão]. Nos outros programas atendidos pelo Isev está correndo tudo de forma normal, mas nessa questão dos profissionais da UPA esbarrou na questão da hora plantão”, falou o prefeito.

A assessora jurídica do Sindicato dos Médicos, Vanessa Lisboa de Almeida, saiu da reunião acreditando que tudo se encaminha para um acerto entre o município e os profissionais. “A prefeitura está bem receptiva com a proposta que os médicos estão trazendo. Ela está entendo a situação e o caos administrativo que chegou da relação dos médicos com a empresa terceirizada, e o sindicato acredita em uma solução positiva”, disse, ao Biguá News.

A advogada salientou que os médicos analisam ajuizar uma ação trabalhista contra o Isev, por causa dos atrasos nos pagamentos dos direitos, como o não recolhimento do FGTS. “A terceirizada tem um passivo trabalhista grande com os médicos. Foram dois anos pagando irregularmente os salários. Vamos tentar uma composição com a prefeitura, pois ela é responsável subsidiária na contratação dos serviços. Uma ação coletiva na Justiça do Trabalho contra o instituto não está descartada”, avaliou Vanessa.

Também participaram da reunião o procurador jurídico do município, Daniel César da Luz, o secretário de Saúde, Ângelo Ramos Vieira, a vereadora e enfermeira Magali Eliane Pereira Prazeres, o médico Gilberto da Veiga, que é integrante da diretoria do sindicato, e representantes do Conselho Municipal de Saúde.

Publicidade