ND – Moradores do loteamento Nova Governador, em Governador Celso Ramos, denunciam um aumento abusivo na cobrança do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) de 2026. Em alguns imóveis, o acréscimo ficou acima de 600%.
Segundo a denúncia, a alta cobrança foi motivada por uma nova classificação feita pela prefeitura, que considerou o loteamento como de alto padrão. Contudo, os moradores relatam problemas estruturais graves, como falta de água, buracos nas ruas e mato espalhado pelas calçadas.
“Levamos um susto ao ver o aumento do IPTU de 400 reais no ano passado para quase 3 mil reais esse ano. O loteamento está abandonado. Tem lama pelas ruas, não tem calçadas, só mato, buracos. A proposta na venda do terreno era completamente diferente”, descreveu Marcio Ito, que possui um terreno no local.
O loteamento possui cerca de 1,3 mil lotes e foi inaugurado em 2018. Em outros boletos do IPTU enviados à reportagem do ND Mais, as cobranças tiveram aumento expressivo, passando de R$ 395,30 em 2025 para R$ 2.783,58 em 2026 (aumento de 604%), e de R$ 462,83 para R$ 3.606,47 (679%).
Em resposta à reportagem do ND Mais, a Prefeitura de Governador Celso Ramos afirmou que o reajuste neste ano foi de 4,47% e os lançamentos das guias do IPTU estão sendo auditados pela administração municipal. A previsão é que o trabalho seja concluído até o fim de janeiro.
“Para garantir a total precisão e equidade de todos os lançamentos, a administração municipal informa que todas as guias do IPTU 2026 estão passando por um minucioso processo de auditoria, para que a cobrança seja justa e regular para todos os contribuintes”, destacou a prefeitura.
‘Descaso’: moradores denunciam aumento de 500% no IPTU
“No meu caso de 560 paguei últimos 5 anos passou para 2700 reais. Sem nenhuma alteração nem no terreno, nem no loteamento. Todos os moradores tiveram aumento, com alteração bem alta. Está sendo um descaso, com um aumento que não teve nenhum retorno”, relata Mario Gonçalves.
Outro morador afirmou que a cobrança de R$ 800 em 2025 virou R$ 3 mil em 2026. “Isso não condiz com o que temos no loteamento. Vivemos sem creche, escola, sem posto de saúde, com ruas alagadas. O abastecimento de água não funciona direito. Um loteamento que não tem uma estrutura que se possa viver bem, não faz sentido essa cobrança”, destaca.
População faz abaixo-assinado contra os novos valores
Os moradores organizaram um abaixo-assinado, que já conta com 70 assinaturas, em que relatam as cobranças acima do esperado. O documento foi enviado para o Ministério Público de Santa Catarina. A expectativa da população é que um inquérito civil seja instaurado para investigar o caso.
“O loteamento não dispõe de infraestrutura compatível com a classificação tributária aplicada, inexistindo ou sendo precários serviços essenciais como pavimentação adequada, drenagem pluvial, abastecimento regular de água e iluminação pública eficiente”, destaca o documento.


