Santa Catarina precisa qualificar projetos públicos para captação de recursos internacionais

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Projetos públicos para captação de financiamentos em organismos internacionais requerem uma preparação cuidadosa. A avaliação é da gerente do projeto do Banco Mundial, Fátima Amazonas. A gerente falou para os representantes dos estados e do Distrito Federal durante a 3ª reunião do Fórum Nacional de Gestores Estaduais de Relações Internacionais (Fórum RI 27), em Salvador, a sexta-feira(2).

“Muitas vezes não é a falta de recursos”, diz Fátima, ao listar outros motivos para a recusa de projetos por organismo financiadores. Segundo ela, necessidade de adequação às diretrizes das instituições e pedidos de extensão dos prazos de execução estão entre os entraves.

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Para o secretário de Assuntos Internacionais de Santa Catarina, Carlos Adauto Virmond, presidente do Fórum RI 27, o alerta aponta para a necessidade de os estados brasileiros estarem atentos à elaboração de projetos. “Os representantes do Banco Mundial, do BID e de instituições de fomento destacaram no Fórum RI 27 a necessidade de se qualificar os processos de elaboração dos projetos e de se definir bem os produtos para que sejam obtidos os resultados esperados”, explicou Virmond.

Para o diretor-geral do Centro de Estudos e Estratégias em Relações Internacionais (CEERI), Leonel Leal, as cooperações internacionais “deixaram de ser um tema exótico para se tornar um tema corriqueiro”. Leal aponta a globalização e os avanços na área de comunicação como promotores de novas cooperações no nível de estados e municípios. “As facilidades trazidas pela tecnologia estimularam a aproximação da agenda local e da agenda internacional em instâncias que antes não tinham disponibilidade”, disse.

As cooperações têm por objetivo transferir conhecimentos técnicos ou recursos financeiros que contribuam com o desenvolvimento. Por ser um país em desenvolvimento, o “Brasil ainda é muito atrativo para cooperação internacional”, avalia Alessandra Ambrosio, gerente da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Ministério das Relações Exteriores. De acordo com a gerente da ABC, os atores e beneficiários locais das cooperações também agregam conhecimento, pois uma instituição internacional “nunca parte do zero”.

Alessandra explica que o conhecimento trazido de fora dialoga com o conhecimento e a realidade locais. “Os organismos internacionais podem nos ajudar a chegar aos nossos objetivos, mas nunca substituir a nossa força de trabalho”, completa.

As cooperações técnicas podem representar uma alternativa à falta de financiamento. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) oferece aos seus parceiros conhecimentos em gestão técnica de projetos, em especial voltados para o desenvolvimento humano e sustentável. “Os recursos não são necessariamente financeiros. Há outros recursos com que podemos ajudar e que permitem que estados e municípios se fortaleçam com os ativos já existentes”, lembra a representante residente do PNUD no Brasil, Maristela Baioni.

Rafael Paulo
Assessoria de Comunicação

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