Biguaçu está entre os municípios pioneiros na disponibilização do implante contraceptivo no Brasil. O método, incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) neste mês de julho, já é oferecido na rede pública municipal desde o ano de 2023. Nos últimos dois anos, a iniciativa implementada com recursos próprios da Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde, beneficiou 1.900 biguaçuenses.
Pequeno e discreto, com apenas 4 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro, o bastonete Implanon tem duração de até três anos e uma alta eficácia contraceptiva, sendo considerado mais eficiente que a laqueadura e o DIU hormonal. A inserção é realizada sob a pele no braço, de forma rápida e segura, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e no Ambulatório de Saúde da Mulher, anexo à Policlínica Municipal Luiz Carlos Martins .
Na rede privada, o custo para obtenção do implante pode variar entre R$ 2 mil e R$ 4 mil. Para viabilizar o acesso gratuito e facilitado à população do município, o investimento realizado foi de R$ 1.164.300,00.
O processo de adesão também envolveu a capacitação das equipes das UBS, não só para os procedimentos de aplicação e remoção do implante, como também para o acolhimento e orientação das pacientes. Ao todo, foram promovidas cinco formações, com a participação de 81 profissionais, sendo 56 enfermeiros e 25 médicos.
A preparação incluiu ainda a criação de um protocolo para definição dos públicos prioritários, considerando critérios clínicos, faixa etária e situação de vulnerabilidade. Confira quais foram os grupos definidos inicialmente:
Pacientes vivendo com HIV/Aids;
Adolescentes (12 a 18 anos completos);
Pacientes com três ou mais cesáreas ou três filhos ou mais;
Pacientes com trombofilias, SAAF e outras alterações de coagulação;
Pacientes em situação de rua, dependentes químicas, beneficiárias do Auxílio Brasil e profissionais do sexo;
Puérperas de alto risco (pontuação ≥10 na Rede Cegonha);
Pacientes com histórico de pré-eclâmpsia grave ou precoce;
Pacientes com obesidade grau 3 (IMC ≥40);
Pacientes com déficit cognitivo em idade fértil;
Pacientes com transtornos psiquiátricos graves;
Pacientes com histórico de acionamento do Conselho Tutelar por negligência no pré-natal ou com filhos.
Repercussão em diversas esferas
O sucesso da experiência de implementação do implante contraceptivo na Rede Municipal de Saúde de Biguaçu também foi reconhecido em diferentes espaços, com convites para participação em diversos eventos voltados à saúde pública, nos âmbitos regional, estadual e nacional.
Um dos momentos mais marcantes ocorreu no Seminário do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Santa Catarina (COSEMS), em 2024, onde a iniciativa não só foi apresentada como referência em boas práticas na Atenção Primária, como também premiada e selecionada para a etapa nacional.
No mesmo ano, o projeto ganhou ainda mais visibilidade ao ser compartilhado durante encontro promovido pela Gerência Regional de Saúde, e ao integrar a programação do Congresso de Municípios, Associações e Consórcios de Santa Catarina (COMAC) e do Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS).

