Secretário registrou BO de falso ataque hacker nos servidores da Prefeitura

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A Polícia Civil cumpre sete mandados de busca e apreensão, na manhã desta quarta-feira (9), na Prefeitura de Biguaçu, na Câmara, em secretarias municipais e em residências de investigados. São duas operações distintas. Uma apura se a vereadora Salete Cardoso (PL) recebia irregularmente salário do município enquanto exercia cargo eletivo. A outra operação investiga a comunicação (registro de Boletim de Ocorrência) sobre um ataque hacker nos servidores da prefeitura.

Conforme fontes do Biguá News, esse suposto ataque hacker nunca teria acontecido. A partir dessa constatação, a investigação vai apurar se houve o registro dessa ocorrência para esconder eventual apagamento de documentos dos computadores da prefeitura. Nos últimos meses, o Ministério Público estava pedindo vários documentos no setor de arquivos do Paço Municipal. Os policiais estiveram hoje de manhã recolhendo provas dentro dos setores envolvidos, além de aparelhos de celular do denunciante. A Polícia Civil ainda não informou o nome do secretário investigado. Os investigadores estiveram na Secretaria de Administração, no setor de RH, de contratos e na tesouraria.

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“As autoridades municipais teriam construído uma narrativa para legitimar o desaparecimento dos arquivos em ataques promovidos por um hacker que, em tese, exigiu valores para reestabelecer o servidor”, diz despacho do juiz que autorizou as buscas.

Apreensão de arma e agenda

Na casa de um dos investigados, os policiais encontraram um revólver calibre .38 sem o devido registro. Essa arma seria do esposo de uma servidora do alto escalão da prefeitura. Ele foi conduzido à delegacia para os devidos registros. Nesse mesmo endereço foram apreendidos uma agenda com anotações e um pendrive, que terão seus conteúdos analisados e os dados cruzados com eventuais informações captadas em conversas de WhatsApp.

Arma, agenda e pendrive apreendidos na operação

Chegará em Ramon

Apesar de a Polícia Civil não divulgar os nomes dos investigados, tudo indica que a secretária de Administração, Daniela Garcia Fabrício Galiani, foi um dos alvos das buscas e apreensão autorizados pela Justiça, já que os policiais visitaram a secretaria que ela comanda para recolher documentos. Se essa informação for confirmada, a investigação poderá chegar ao ex-prefeito Ramon Wollinger (PSD) – que renunciou ao cargo há uma semana.

Daniela foi uma escolha de Ramon para o cargo. Ela era diretora da Secretaria e foi alçada ao cargo de secretária há dois anos. Galiani também tem relações de amizade com o ex-prefeito. O esposo dela, Roberto Diniz Morim Galiani, foi candidato a vereador nas últimas eleições pelo PSD, com apoio de Wollinger, e somou 223 votos.

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