Suspeito de esquema de fraude no SUS é considerado foragido

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G1 – O suspeito de envolvimento no esquema de fraude no Sistema Único de Saúde investigado na Operação Ressonância que não teve o mandado de prisão cumprido na segunda (24) não se apresentou nesta terça-feira (25), informou o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Dessa forma, é considerado foragido. Outras sete pessoas foram presas, incluindo quatro vereadores.

Segundo o promotor Alexandre Graziotin, políticos intermediavam o contato entre pacientes e um servidor com acesso ao sistema de marcação de exames. As investigações começaram em novembro de 2015. A operação foi chamada de “Ressonância”, um dos exames pelos quais os pacientes pagavam para furar a fila.

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Nesta terça, foram ouvidas 16 testemunhas do caso: oito em São João Batista, na GrandeFlorianópolis, e as outras oito na capital. Os vereadores presos não haviam prestado depoimento até o início da noite desta terça. O MPSC não divulgou a identidade da pessoa foragida.

Dos quatro vereadores presos, três atuam em São João Batista e um, em Biguaçu, na Grande Florianópolis. Conforme o MPSC, eles devem ficar cinco dias detidos, com possibilidade de prorrogação da detenção por mais cinco dias para a investigação.

Manoel Airton Pereira, o Bilico, do PP, está no quinto mandato consecutivo e foi o vereador com maior número de votos de Biguaçu no pleito de 2 outubro deste ano. “O que ele fazia efetivamente era encaminhar as pessoas para a realização dos exames, sem qualquer pagamento ou recebimento de valores”, disse o advogado do político, Anderson Nazário.

Em São João Batista, foram presos Carlos Francisco da Silva, o Carlinhos, que deve exercer o oitavo mandato em 2017, Sebastião Formento, que atualmente é vereador, mas será suplente em 2017, além de Alécio Boratti, eleito pela primeira para o mandato de 2017. Todos integram o PP.

O advogado dos vereadores de São João Batista , Nelson Zunino Neto, acredita que, depois de serem ouvidos, os vereadores deverão ser liberados. “Eles estão colaborando com as investigações. O que era feito era um auxílio, como transporte, para que as pessoas fossem ao hospital, mas não havia propina”, disse Zunino.

População diz que esquema era corriqueiro

Moradores de São João Batista contaram a reportagem da RBS TV que o esquema de troca de votos por favorecimento para furar a fila do SUS já acontecia há muitos anos na cidade.  Eles afirmam que vereadores já se elegeram e reelegeram por meio do esquema.

“Era bem conhecida essa troca de votos por exames na Grande Florianópolis. Há muitos anos”, conta um morador da cidade. Outra moradora se diz vítima da fraude. Ela espera há dois anos a realização do exame. “Eles podiam ajudar com boa vontade, não com compra de votos”, disse a mulher.

Operação
Foram cumpridos até esta terça (25) sete dos oito mandados de prisão temporária expedidos, três de condução coercitiva e 19 de busca e apreensão. Foram apreendidos computadores e outros objetos em clínicas, no próprio Hospital Celso Ramos, em Florianópolis, e em imóveis particulares.

No esquema, segundo o Gaeco, os pacientes levavam um envelope com o dinheiro, o pedido do médico e o cartão do SUS. Entre R$ 200 e R$ 600 eram pagos para o servidor do estado passar pessoas na frente na fila de exames de ressonância magnética e tomografia no Hospital Celso Ramos.

Pelo menos 50 exames foram adiantados com fraude. As negociações ilícitas eram feitas nos fundos do hospital, em um lugar conhecido como “barraco”, ou em um quiosque perto da unidade de saúde.

A princípio, conforme o Gaeco, médicos e pessoas que trabalham no quiosque não têm nenhum envolvimento. Assinaturas e carimbos de médicos foram falsificados. A denúncia do esquema partiu da própria Secretaria de Estado da Saúde.

Cumprimento de mandados

Os mandados foram cumpridos nos municípios de Palhoça, Biguaçu, São João Batista, na capital e Major Gercino, todos na Grande Florianópolis.

Os três conduzidos coercitivamente foram interrogados na tarde desta segunda. Os crimes apurados são falsidade ideológica, inserção de dados falsos nos sistemas de informação, corrupção passiva e crimes eleitorais.

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