A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros acendeu um sinal de alerta entre empresas exportadoras de Biguaçu. O município, um dos principais polos industriais da Grande Florianópolis, reúne indústrias que atuam na fabricação de embalagens, peças técnicas e outros produtos plásticos destinados ao mercado internacional, setor que pode ser diretamente impactado pela medida.

Os EUA são o segundo principal destino das exportações biguaçuenses, com valor FOB de US$ 6.861.892 (cerca de R$ 35 milhões na cotação atual) no ano de 2025, atrás apenas do Vietnã, que comprou US$ 8.567.247 (cerca de R$ 43 milhões) no ano passado. Os dados são do Comex Extat, do Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC).
Os principais produtos exportados pelas empresas instaladas em Biguaçu são: farinhas de peixe, carne e miúdos para a produção de ração (49%), produtos plásticos, como embalagens para transportes e tampas de recipientes (27%), gorduras de peixe (12%), espelhos e vidros (2,3%), papel e outros derivados de celulose (1,8%), iates e embarcações (1,7%), equipamentos e máquinas elétricas (0,9%), entre outros.
Na prática, a sobretaxa que entrará em vigor a partir do dia 22 de julho torna os produtos brasileiros mais caros para os importadores norte-americanos, reduzindo a competitividade das empresas nacionais frente a concorrentes de outros países que não enfrentam a mesma tributação.
Setor de plásticos está entre os mais expostos
Biguaçu concentra um parque industrial diversificado, mas o segmento de transformação de plásticos ocupa posição de destaque na economia local. Muitas empresas fornecem componentes e embalagens para cadeias produtivas globais, incluindo clientes nos Estados Unidos.
Especialistas avaliam que, diante do aumento dos custos, compradores americanos podem reduzir pedidos, renegociar contratos ou buscar fornecedores em outros mercados. O cenário pode refletir na produção, no faturamento e até na geração de empregos, caso as tarifas permaneçam por um período prolongado.
Além do setor plástico, empresas dos segmentos metalúrgico, químico e de componentes industriais instaladas na região também acompanham com preocupação os desdobramentos da medida.
Competitividade em risco
Para os exportadores, o principal desafio será manter a competitividade em um dos maiores mercados consumidores do mundo. Em muitos casos, as empresas terão de decidir entre absorver parte do custo adicional — reduzindo suas margens de lucro — ou repassar o aumento aos clientes, correndo o risco de perder mercado.
A situação também pode afetar investimentos planejados para ampliação da capacidade produtiva e contratação de mão de obra, especialmente em empresas cuja receita depende significativamente das exportações.
Economia regional pode sentir reflexos
Embora nem todas as indústrias de Biguaçu exportem diretamente para os Estados Unidos, muitas fazem parte de cadeias de fornecimento que abastecem empresas exportadoras em outras regiões do país. Com isso, uma eventual redução na demanda internacional pode repercutir em toda a cadeia produtiva.
Entidades representativas da indústria defendem a continuidade das negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos para tentar reduzir os impactos da nova política tarifária e preservar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo.
Enquanto isso, empresários acompanham a evolução das tratativas e estudam alternativas, como a diversificação de mercados e a ampliação das vendas para outros países, buscando minimizar os efeitos das novas tarifas sobre a economia local.


