Manifestação no centro de Florianópolis pede a liberação da fosfoetanolamina

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Assessoria

Uma manifestação pacífica promete sensibilizar a população que cruzar as principais ruas do Centro de Florianópolis, nesta sexta-feira de Carnaval. A concentração será em frente ao TICEN, a partir das 14h. Um grupo formado por familiares e amigos de pacientes portadores de câncer promoverá uma manifestação em protesto pela liberação imediata do uso da fosfoetanolamina sintética para o tratamento da doença. Os manifestantes também recolherão assinaturas para um abaixo-assinado e distribuirão panfletos informativos sobre a luta.

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No estado, o movimento é encabeçado pela ASPAC-SC (Associação de Amigos e Pacientes de Câncer) de Santa Catarina, com sede em Biguaçu; da AMUCC (Associação Brasileira de Portadores de Câncer) e conta com o apoio da advogada ativista da causa, Marisa Nogueira Ferreira; e do médico e vereador da Capital, Dr. Ricardo Vieira.

O presidente da ASPAC-SC, João Vianei, destaca o objetivo da ação. “Precisamos mobilizar a sociedade e ganhar mais apoiadores para a causa, pois a substância, quando utilizada por alguns pacientes, apresentou melhoras significativas”, observa Vianei. Hoje, pacientes que desejam fazer o uso da fosfoetanolamina precisam entram na justiça, um longo caminho para conseguir uma liminar que autorize o uso da droga. Além disso, outra barreira é encontrar quem a produza, uma vez que também está proibido.

Outra luta do grupo é fazer com que a ANVISA e os demais órgãos reguladores façam logo todos os testes que julgam necessários para liberar, o mais rápido possível, o uso da fosfoetanolamina. A presidente da AMUCC destaque que, “A maior nó da questão é quem irá fabricar o medicamento. Em Santa Catarina, até o momento, três universidades se manifestaram interessadas em produzir em nível de pesquisa”, destaca. A manifestação objetiva dar visibilidade a todas essas dificuldades e agregar mais apoiadores à luta, que ganha cada vez mais força através das redes sociais.

SAIBA MAIS:

“Aos 73 anos, o pesquisador Gilberto Orivaldo Chierice vivencia uma agitada rotina de reuniões, entrevistas e atendimentos a pedidos de auxílio (ver box) gerados pela expressiva repercussão de uma de suas criações, a fosfoetanolamina (ou “fosfoamina”) sintética, uma substância que teria potencial para se tornar um medicamento capaz de combater diferentes tipos de câncer.

O trabalho foi desenvolvido nos anos 1990 por uma equipe de pesquisadores coordenada por Chierice no Instituto de Química de São Carlos, vinculado à Universidade de São Paulo (USP), onde ele, hoje aposentado, atuava como docente e pesquisador.

Em 1995, a instituição de ensino e o Hospital Amaral Carvalho, de Jaú, um dos centros de referência em tratamento de câncer no Estado, firmaram um convênio para a realização de testes clínicos da substância em dezenas de pacientes. Segundo Chierice, muitos deles tiveram uma melhora significativa, mas o hospital não levou o convênio adiante, não justificou as razões da desistência e alguns médicos que participaram do estudo passaram a orientar os pacientes a buscarem as pílulas diretamente na USP de São Carlos.

Desde então e durante um período de aproximadamente 15 anos, o conhecimento sobre a existência do composto ficou restrito a um pequeno grupo de pessoas que alega ter se beneficiado com o tratamento alternativo ou que, por conta do boca a boca, soube dos resultados positivos proporcionados pela fosfoetanolamina e passaram a buscar o composto. Há relatos, ainda, de médicos que não participaram dos estudos, mas que também orientaram seus pacientes a tentarem uma saída com as pílulas do grupo de Chierice.

Entretanto, em 2014 e por razões que não foram muito bem esclarecidas, a USP de São Carlos restringiu a distribuição de drogas experimentais em suas dependências. Com a medida, usuários do composto passaram a apelar para ações judiciais visando garantir o acesso ao tratamento alternativo. A corrida aos tribunais chamou a atenção de doentes que sequer haviam ouvido falar da fosfoetanolamina, levando-os a também procurar a Justiça por não acreditarem mais nos tratamentos convencionais.

Devido à publicidade da discussão, em 2015 foram realizadas audiências públicas no Senado e na Câmara dos Deputados, o que levou, inicialmente, o Governo Federal a anunciar a destinação de recursos na ordem de R$ 10 milhões para a realização dos testes que poderão comprovar ou não a eficácia do composto e, se for o caso, reconhecê-lo como um medicamento antitumoral.

Somente após a repercussão nacional e até internacional do assunto, o governo de São Paulo, a quem a USP está subordinada, resolveu também patrocinar a realização desses testes e até a pedir a liberação imediata do composto para pacientes terminais.

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