Presidente da Câmara de Tijucas e mais dois vereadores são soltos pela polícia

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G1

Os três vereadores de Tijucas presos durante investigações da Operação Iceberg, que investiga o uso e autorização de diárias pagas pela Câmara para cursos que não eram frequentados pelos vereadores, foram soltos. Segundo a Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), os prejuízos passam de R$ 500 mil.
A prisão temporária deles era imprescindível para esclarecer alguns pontos do inquérito”
delegado Walter Watanabe

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Foram detidos na quarta (9) o presidente da Câmara de Vereadores, Eder Muraro (DEM), Sérgio Murilo Cordeiro (PMDB) e Luiz Rogério da Silva (PMDB). Os três ocuparam a presidência da Câmara Municipal nos últimos três anos e são suspeitos de desvio de dinheiro público. Eles foram liberados na sexta-feira (11).

As investigações da Polícia Civil apontaram que os vereadores recebiam e autorizavam o pagamento de diárias e outros custos para a realização de cursos no Paraná, voltados para a administração pública, e não frequentavam as aulas.

A Polícia Civil conseguiu autorização da Justiça para a prisão de cinco empresários, donos dos cursos envolvidos no esquema. Quatro também já foram soltos e um continuava detido nesta segunda-feira (14).
Provamos à Justiça que os vereadores sempre estiveram à disposição, não precisavam ser presos para isso”
advogado Márcio Rosa

Motivo da prisão

“A prisão temporária deles era imprescindível para esclarecer alguns pontos do inquérito. Com os depoimentos e a análise dos documentos apreendidos conseguimos esclarecer detalhes importantes de irregularidades. Agora, entramos na fase final do inquérito que deve ser entregue à Justiça. Um juiz deve abrir vista ao Ministério Público que decidirá se oferece denúncia para abertura de um processo criminal”, explica o delegado Walter Watanabe.

Segundo o delegado, em um mês o inquérito deve ser concluído. O advogado dos vereadores Sérgio Murilo Cordeiro e Éder Muraro acredita que a prisão era desnecessária, pois os suspeitos estão colaborando com a polícia desde a abertura da operação.

“Provamos à Justiça que os vereadores sempre estiveram à disposição, não precisavam ser presos para isso. Já conseguimos comprovar, com documentos, que eles participavam dos cursos e a investigação vai apontar que meus clientes não estão envolvidos em quaisquer irregularidades”, afirma Márcio Rosa.

O G1 entrou em contato com o advogado de defesa do vereador Luiz Rogério da Silva, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

Gastos com diárias

O delegado Walter Watanabe apurou que, de janeiro a agosto deste ano, a Câmara de Vereadores de Tijucas, com 13 vereadores, gastou R$ 225 mil em diárias. Em Florianópolis, onde há quase o dobro de vereadores, o gasto foi de R$ 11 mil. Esta é a terceira fase da Operação Iceberg.

“Os empresários emitiam os certificados mesmo com o servidor ou o vereador não estando presente. Eles atestavam de maneira falsa, cometiam o crime de falsidade ideológica, e expediam os certificados para os vereadores, justamente para comprovar a diária que iriam receber posteriormente”, diz o delegado.

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