Temor de violência marca preparativos para votação nos EUA

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BBC – Mesários em Denver, no Colorado, receberam um módulo extra no treinamento para as eleições deste ano: como reagir em caso de tiroteio. Na Pensilvânia, autoridades distribuíram uma cartilha lembrando que intimidar eleitores é ilegal. Em diversas cidades, as aulas serão canceladas em escolas onde há votação.

Ao fim de uma campanha marcada pela retórica agressiva, o temor de violência vem se manifestando nos preparativos para o pleito presidencial, que acontece nesta terça-feira (8).

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“Nos preparamos para qualquer tipo de situação”, disse à BBC Brasil a diretora de Eleições de Denver, Amber McReynolds.

No caso específico do Colorado, palco de tiroteios como o da escola Columbine, em 1999; o de um cinema, em 2012; e o de uma clínica de aborto, no ano passado, McReynolds ressalta que a medida estava prevista desde o ano passado e não tem relação direta com a campanha.

“É mais por causa do clima que temos visto nos últimos anos, em todo o mundo”, afirma.

“Além do foco na possibilidade de tiroteio, (o treinamento) inclui dicas sobre situações que podem ocorrer em uma votação, desde falta de luz até emergências médicas, incêndios e desastres naturais”, acrescenta.

Mas o tom da disputa presidencial tem causado apreensão em autoridades, ativistas e eleitores de ambos os partidos.

Segundo pesquisa do jornal USA Today e da Universidade Suffolk, 51% dos eleitores se dizem preocupados com a possibilidade de violência no pleito.

“Não estamos necessariamente prevendo violência, mas é inteiramente possível”, disse à BBC Brasil o especialista em extremismo Mark Potok, do Southern Poverty Law Center, organização que monitora grupos radicais no país.

Fraude

Potok e outros críticos citam declarações do candidato republicano, o empresário Donald Trump, como motivo de preocupação.

Trump alertou repetidas vezes para o risco de fraude, disse que há uma conspiração da mídia e do governo contra ele, convocou seus eleitores a monitorarem locais de votação e se recusou a dizer se respeitará o resultado caso sua adversária, a democrata Hillary Clinton, saia vitoriosa.

A possibilidade de fraude é amplamente rejeitada por especialistas e estudos. Uma análise realizada por um professor da Loyola Law School, em Los Angeles, com base em mais de 1 bilhão de votos entre 2000 e 2014 revelou apenas 31 casos.

Nessas eleições (já iniciadas em vários Estados que permitem votação antecipada), o único episódio envolveu uma eleitora do próprio Trump, presa em Iowa por tentar votar duas vezes.

Mesmo assim, segundo a pesquisa do USA Today, mais de 40% dos eleitores de Trump dizem que não vão reconhecer a legitimidade de Clinton como presidente, caso ela seja eleita, por acreditarem que a eleição não será justa.

Grupos que apoiam o republicano, alguns ligados a movimentos nacionalistas, neonazistas e à Ku Klux Klan (grupo supremacista branco), já anunciaram que vão se mobilizar para monitorar a votação.

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