O policial militar da reserva Eugeniano Schroeder Filho, de 71 anos, foi condenado por quatro tentativas de homicídio realizadas em Biguaçu, no ano de 2021. Uma das vítimas ficou paraplégica. O tribunal do júri foi realizado na quarta-feira (1º) e resultou em uma pena de 15 anos. Os crimes ocorreram em 17 de janeiro de 2021, durante uma confraternização entre amigos realizada ao lado da casa do policial aposentado.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a confraternização acontecia no período vespertino. Por volta das 15h45, uma convidada sugeriu que o grupo tirasse fotos em uma estrutura de ferro semelhante a uma arquibancada, localizada em um terreno baldio aos fundos da casa. Estavam cerca de 15 pessoas na festa, mas somente quatro aceitaram a proposta e subiram nos andaimes para posar para a foto. No momento em que se equilibravam para o retrato, começaram os disparos.
Segundo consta dos autos, as vítimas se apressaram para descer após ouvirem os tiros, mas uma convidada não conseguiu fugir a tempo, foi atingida e caiu entre os vãos do metal – o que dificultou seu resgate. Os disparos foram efetuados pelo vizinho, que teria chegado sorrateiramente pelo lado da estrutura para atirar contra as quatro vítimas. Apenas uma delas foi alvejada. A mulher atingida teve lesões graves que a deixaram paraplégica.
O acusado portava um revólver e cartuchos de calibre .38 em desacordo com determinação legal ou regulamentar, e utilizou esta arma para efetuar os disparos. Em depoimento, alegou que sempre teve o sossego molestado pelas “raves” frequentes do seu vizinho, que a festa da ocasião já se estendia por dois dias e que as vítimas invadiram a propriedade do seu filho – local onde posavam para fotos.
O dono da residência onde ocorria a festa nega que promovia uma “rave”, mas tão somente um almoço de domingo que se estendeu numa tarde de verão.
O réu foi julgado por quatro tentativas de homicídio qualificadas por motivo fútil e por posse ilegal de munição e arma de fogo.
Homem recebeu prisão domiciliar
Por conta da idade avançada do policial, a Justiça concedeu o direito à prisão domiciliar. Ele seguirá sendo monitorado por tornozeleira eletrônica. Eugeniano terá que pagar R$ 5 mil como indenização por danos morais a cada uma das vítimas não atingidas. A indenização à vítima que ficou paraplégica está sendo discutida em outro processo.



