G1 – O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou 14 pessoas suspeitas de integrar um grupo neonazista investigado por produzir e difundir conteúdos de ódio em ambientes virtuais. A organização atuava no estado catarinense, em São Paulo e no Paraná e contava com dois policiais e um advogado como integrantes.
A denúncia é resultado da Operação Nuremberg, realizada em outubro pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). Na época, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe.
A ação foi feita pela 39ª Promotoria de Justiça de Florianópolis. A denúncia foi feita na segunda-feira (15) e divulgada nesta terça (16). O MPSC informou que o Poder Judiciário ainda não decidiu se vai aceitar ou não o documento. Em caso positivo, os denunciados passam a ser réus no processo.
Os 14 integrantes foram denunciados por fazer parte de organização criminosa e oito deles também por racismo e apologia ao nazismo.
Os principais membros do grupo, conforme a denúncia, eram:
- o chefe da organização – conhecido “Führer brasileiro”;
- o braço-direito dele, uma escrivã da Polícia Civil de São Paulo – prestava apoio dentro da corporação;
- um policial militar paulista – prestava apoio dentro da corporação;
- advogado – prestava apoio jurídico.
Os outros nove denunciados tinham menor expressão no grupo. Eles não tiveram os nomes divulgados.
Como funcionava o esquema?
As autoridades descobriram, durante as investigações, que a organização criminosa era estruturada. Ela tinha chefia definida e regras internas.
O grupo cometia infrações penais relacionadas à disseminação e promoção de ideologia neonazista e intolerância racial, política, religiosa e sexual.
Segundo a investigação, parte dos acusados teria participado ativamente da produção e difusão de conteúdos de ódio em ambientes virtuais, usando perfis falsos e fóruns para a propagação de ideias supremacistas. Além disso, há informações de atuação dos acusados em atos de violência física.
Grupo cobrava mensalidade obrigatória
As investigações identificaram uma estrutura hierarquizada, com fichas de ingresso, produção de camisetas exclusivas e cobrança de mensalidades obrigatórias aos membros.
As contribuições financeiras seriam destinadas ao custeio de despesas internas, à aquisição de materiais de propaganda e à manutenção das atividades do grupo.
As apurações indicaram que a organização criminosa mantinha encontros presenciais regulares, nos quais debatia temas relacionados à disseminação da ideologia neonazista e ao recrutamento de novos membros.

